Por Luis Rogério Cosme
Tramita no Congresso Nacional o PL 2564/2020 que dispõe sobre a jornada de trabalho de 30 horas e sobre o piso salarial de auxiliares, técnicos e enfermeiras. A cenário da Pandemia do Covid-19 trouxe à discussão a importância da Enfermagem e a indiferença como as categorias que compõem a profissão são tratadas, em face das péssimas condições de trabalho e baixa remuneração. Essa luta é antiga e tenhamos a certeza: É agora ou nunca mais.
Nesse período pandêmico, a sociedade brasileira bateu palmas para a equipe de enfermagem mas desconhece a realidade caótica da profissão. Os parlamentares liberais de direita, comprometidos com o mercado de saúde, não têm interesse em aprovar o projeto, a não ser sob forte pressão popular, dos profissionais e das entidades ligadas a profissão.
A Enfermagem dispõe nesse momento de crise sanitária de dois elementos a seu favor: a sua capacidade de atuar em favor da vida, já atestada publicamente, e o seu contingente enorme de trabalhadoras, representando mais da metade da força de trabalho na saúde que, uma vez organizado politicamente, mostraria pujança necessária ao convencimento dos parlamentares. Contra si, ressurge o movimento antigo dos proprietários de clínicas, hospitais e empresas de todos os portes, acostumados a ter uma mão de obra qualificada a preço vil, com forte influência no parlamento, tanto nas bancadas partidárias, em geral, quanto nas bancadas temáticas, em particular.
Nesse contexto, sugiro que aquela fração apática da Enfermagem que não gosta de política, que passe logo a gostar. Aquela outra parcela que diz não ser nem de esquerda nem direita, que aprenda a tomar posição séria nesse jogo porque conquistas sociais como estas não caem do céu. Aliás, do céu só esperem os tais “piso ético” e “carga horária ética” porque conquistas reais só vem mesmo com politização e luta coletiva.
Volto a lembrar aos pares: ou é agora que o parlamento definirá um piso salarial e as 30 horas da Enfermagem ou não será. Pelo menos, neste século, não mais…
(*) Enfermeiro, docente do IMS/UFBA, ex-conselheiro suplente do Coren-Ba.
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